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domingo, 21 de maio de 2017

INTRIGA INTERNACIONAL


INTRIGA INTERNACIONAL (1959)

"North by Northwest” é, definitivamente, um filme de perseguição. Alfred Hitchcok afirmou que, depois de se sentir extenuado com a sua anterior realização, um filme complexo como “Vertigo” (1958), queria a seguir algo muito mais leve, alegre, divertido, e aproveitou o clima de guerra fria que se vivia no mundo para realizar esta obra de espionagem que, todavia, tem tudo que pertence a este mestre, do suspense, é certo, mas mestre sobretudo do cinema mundial.
Se não, vejamos. O falso culpado é o tema central, como central é em quase todas as obras de Hitch.  Um executivo nova-iorquino, Roger Thornhill (Cary Grant), cuja profissão é a publicidade, é tomado por um tal "George Kaplan” que uma agência de espionagem norte-americana inventou para desviar as atenções e tentar iludir Phillip Vandamm (James Mason). Roger Thornhill será capturado pelos homens de mão de Vandamm. Mas consegue fugir. E essa fuga vai levá-lo a Chicago e de Chicago até às famosas estátuas dos rostos dos presidentes dos EUA, esculpidas em rocha, no Mount Rushmore. As peripécias são tantas e tão invulgares que só o talento e o humor de Alfred Hitchcock permitiriam que as mesmas adquirissem alguma credibilidade, pelos menos a suficiente para o espectador torcer pelo protagonista durante duas horas, na sala escura de um cinema (ou, agora, mais prosaicamente, na sua sala de estar, frente ao televisor). Mas a verdade é que Hitch conduz esta cavalgada quilométrica com uma elegância, uma inquietação, uma ironia que nos deliciam.
Mas além do falso culpado, Hitch não passa sem uma loura verdadeira, neste caso Eva Marie Saint que, alguns anos antes (1954), fora premiada com o Oscar de Melhor Actriz pelo seu desempenho em “Há Lodo no Cais”. Ela é Eve Kendall, uma misteriosa mulher que o publicitário em fuga encontra a bordo de um comboio, com quem estabelece uma fulminante relação de empatia (ou mesmo de algo mais) e que se manterá muito misteriosa até se perceber quem ela é, ou quem nós pensávamos que era. Mas, no final, numa cena que o próprio Hitch considera como das mais sexualmente explícitas do seu cinema, o casal, a bordo de um novo comboio, penetra (não esqueçam a palavra!) num túnel que tudo indica ter uma leitura simbólica muito embora o Mestre tenha igualmente declarado que este filme tinha muito pouco simbolismo.


Mas tem e muito. Apesar de ser um aparente divertimento, este é um filme carregado de sugestivas interpretações e de um imprescindível "MacGuffin", uma designação inventada por Hitchcock para designar uma falsa pista, aqui um objecto adquirido num leilão de obras de arte e que contém no seu interior microfilmes com fórmulas secretas que serão desviadas pelos espiões. Mas este é afinal um problema lateral à própria intriga de “North by Northwest”. Todas as obsessões e fantasmas de Hitchcock se encontram bem inseridas nesta obra, muito embora se possa considerar um filme menos denso do que o já citado “Vertigo” (mas haveria dezenas de outros títulos deste cineasta que poderiam igualmente ser citados). Acontece que o ar ligeiro deste thriller só o é na aparência, sendo sobretudo de realçar a angustiante situação de “perseguido por engano” do protagonista que, cada vez que procura solucionar o seu caso, se encontra mais envolvido em suspeitas. Há uma altura em que alguém é assassinado à sua frente e, a partir daí, Roger Thornhill passa igualmente a ser perseguido pela polícia, o que torna ainda mais dramática a sua fuga. Depois, além de um culpado ser falso, quase todos à sua volta também são falsos como judas, aparentando ser o que não são, apesar de alguns serem, não serem e voltarem a ser, o que leva à criação de um universo de permanente dúvida. Um universo em que o protagonista não acredita em ninguém, mas em que ninguém também parece, na realidade, acreditar nele (muito embora muitos saibam que ele fala verdade, mas essa verdade pode não interessar a certos interesses). O mundo torna-se um lugar difícil de habitar, e mesmo numa paisagem quase deserta, numa planície imensa, a imprevisibilidade é permanente, como acontece nessa fabulosa sequência em que Roger Thornhill é chamado a uma cilada e um avião de pulverizar insecticida o tenta abater. 
O filme tem uma belíssima partitura musical de um dos grandes compositores para cinema, Bernard Herrmann, uma magnífica fotografia a cores de Robert Burks, e tudo concorre tecnicamente para o sucesso desta obra que se tornou num dos grandes triunfos da carreira de Hitch. De resto, a interpretação é igualmente extraordinária, não só da parte de Cary Grant, um dos actores de estimação do mestre do suspense, mas igualmente por parte de Eva Marie Saint (Eve Kendall), James Mason, Leo G. Carroll, Josephine Hutchinson ou Martin Landau. 


INTRIGA INTERNACIONAL 
Título original: North by Northwest 
Realização: Alfred Hitchcock (EUA, 1959); Argumento: Ernest Lehman; Produção: Herbert Coleman, Alfred Hitchcock; Música: Bernard Herrmann; Fotografia (cor): Robert Burks; Montagem: George Tomasini; Casting: Leonard Murphy; Design de produção: Robert F.  Boyle; Direcção artística: William A. Horning, Merrill Pye; Decoração: Henry Grace, Frank R. McKelvy; Maquilhagem: Sydney Guilaroff, William Tuttle, Peggy Shannon, Stanley Smith; Guarda-roupa: Harry Kress; Direcção de Produção: Ruby Rosenberg; Assistentes de realização: Robert Saunders, Mickey McCardle, Tim Whelan Jr.;  Departamento de arte: Matty Azzarone, Mentor Huebner;  Som: Franklin Milton; Efeitos especiais: A. Arnold Gillespie;  Efeitos visuais: Cliff , Matthew Yuricich; Companhias de produção: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); Intérpretes: Cary Grant (Roger O. Thornhill), Eva Marie Saint (Eve Kendall), James Mason (Phillip Vandamm), Jessie Royce (Clara Thornhill), Leo G. Carroll (o Professor), Josephine Hutchinson (Mrs. Townsend), Philip Ober (Lester Townsend), Martin Landau (Leonard), Adam Williams (Valerian), Edward Platt (Victor Larrabee), Robert Ellenstein (Licht), Les Tremayn, Philip Coolidge, Patrick McVey, Edward Binns, Ken Lynch, Stanley Adams, Andy Albin, Ernest Anderson, Sam Bagley, Baynes Barron, Steve Carruthers, David A. Cox, Walter Coy, Patricia Cutts, Tommy Farrell, Bess Flowers, Sally Fraser, Tom Greenway, Alfred Hitchcock homem a perder o autocarro),  Stuart Holmes, Bobby Johnson, Sid Kane, Kenner G. Kemp, Madge Kennedy, Doreen Lang, Larry Leverett, Frank Marlowe, Nora Marlowe, Maura McGiveney, Henry O'Neill, Murray Pollack,  Maudie Prickett, Ralph Reed Cosmo Sardo, Harvey Stephens, Frank Wilcox, etc. Duração: 135 minutos; Distribuição em Portugal: M.G.M.; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 8 de Março de 1960.


CARY GRANT (1904 - 1986) 
Archibald Alexander Leach, mais conhecido por Cary Grant, nasceu a 18 de Janeiro de 1904, em Horfield, Bristol, Inglaterra, e viria a falecer a 29 de Novembro de 1986, em Davenport, Iowa, EUA, aos 82 anos, vítima de uma hemorragia cerebral. Casado com Virginia Cherrill (1934 - 1935), Barbara Hutton (1942 - 1945), Betsy Drake (1949 - 1962), Dyan Cannon (1965 - 1968) e Barbara Harris (1981 - 1986). Conta-se que a mãe de Archibald, quando este era ainda muito miúdo, o vestia como uma menina, o que terá tido algum efeito perturbador na sua personalidade. O pai, por seu turno, levou-o, aos seis anos, a assistir a um espectáculo de pantomima que ele adorou. O produtor, Robert Lomas, precisando de mais uma criança para o seu show, contratou Archibald, que partiu em tournée para Berlim. Aí, um empresário americano, Jesse Lasky, levou-os, a bordo do Lusitânia, com destino à Broadway. Regressou depois a Bristol, e aos estudos. Aos nove anos, passou a viver apenas com o pai pois a mãe dera entrada num hospício. Aos treze, deixa a escola, falsifica a assinatura do pai, e entra para a companhia do comediante Bob Pender. Por dois anos apresentou-se em diversas cidades da Inglaterra até que, em Julho de 1920, com 16 anos, foi um dos escolhidos por Pender para uma nova tournée, esta de dois anos, pelos Estados Unidos. Archibald não voltaria a Inglaterra. Trabalhou como arrumador de cinema, vendeu gravatas e interpretou números de variedades. Depois viajou para Hollywood, onde a sua elegância e porte chamaram a atenção de Ben Schulberg, da Paramount, onde mudou de nome, passando a "Cary Grant". A estreia no cinema aconteceu em 1932, num musical medíocre, “Esposa Improvisada”, mas rapidamente lhe surgiu uma boa oportunidade, para trabalhar sob as ordens de Josef von Stenberg, ao lado de Marlene Dietrich, em “Vénus Loira”. Mas só em 1935, com “Sylvia Scarlett”, ombreando com Katharine Hepburn, adquiriu o estrelato, onde se manteve até final da vida, sendo considerado um dos maiores comediantes de sempre. Sucederam-se êxitos como “Bringing Up Baby” (1938), “Gunga Din” (1939), “His Girl Friday” (1940), “The Philadelphia Story” (1940), “Suspicion” (1941), “Arsenic and Old Lace” (1944). Em 1933, conheceu o actor Randolph Scott, o qual, segundo se sabia, era amante do milionário Howard Hughes. Mas a atracção entre ambos foi imediata e recíproca, e os dois passaram a ter uma longa e polémica relação homossexual, já que Scott se mudou para o apartamento de Grant. Os estúdios obrigaram-nos a morar em casas separadas e, face às pressões impostas, Grant nunca chegou a assumir publicamente que este teria sido o grande amor da sua vida. No ano seguinte, foi “obrigado” a casar com a actriz Virginia Cherrill, mas o embuste ainda chamou mais a atenção, dado que Cary Grant, pouco depois, tentou o suicídio. Divorciado, voltou a morar com Randolph Scott. Em 1941, durante a II Guerra Mundial, tornou-se cidadão norte-americano, e, a 8 de Julho de 1942, casou-se com a milionária Barbara Hutton, de quem se divorciou três anos mais tarde. As décadas de 40 e 50 foram pródigas em grandes sucessos, como “Notorious” (1946), de Alfred Hitchcock, ao lado de Ingrid Bergman no filme de Alfred Hitchcock, a que se seguiram “The Bishop's Wife” (1947), “To Catch a Thief” (1955), “An Affair to Remember” (1957), “Indiscreet” (1958), ou “North by Northwest”. Com “Penny Serenade” (1941), e “None but the Lonely Heart” (1944) foi nomeado para o Oscar de Melhor Actor, que nunca conquistou. Mas em 1970, a Academia conferiu-lhe um Oscar honorário pelo conjunto da sua obra. Em 1957, casado com a actriz Betsy Drake, apaixonou-se perdidamente por Sophia Loren, mas esta, comprometida com o produtor italiano Carlo Ponti, não lhe correspondeu. Casa-se depois com a actriz Dyan Cannon, de quem também se divorciou, para voltar a casar, em 1981, com a actriz Barbara Harris. Alfred Hitchcock, Leo McCarey e Howard Hawks, foram realizadores que sempre o preferiram e conta-se que o escritor inglês Ian Fleming se baseou na sua figura, elegância e maneiras para criar a personagem de James Bond, 007. Chegou a receber um convite para encarnar a figura, o que recusou, vindo o mesmo a ser desempenhado por Sean Connery. Em 1966, depois do seu trabalho em “Walk, Don't Run”, terminou a sua carreira, pois se considerava fora dos estereótipos do galã, e nunca aceitaria trabalhar como actor secundário. No inquérito promovido pelo American Film Institute para encontrar as Grandes Lendas do Cinema, figura em 2º lugar, e foi votado o 6º maior actor da História do Cinema pela revista Entertainment Weekly. Na lista das 100 Maiores Histórias de Amor do Cinema, publicada pelo American Film Institute, e organizada em 2002, Gary Grant figura por seis vezes: “O Grande Amor da Minha Vida” (1957), em 5º lugar, “Casamento Escandaloso” (1940), “Com a Verdade Me Enganas (1937), em 77º, e “Difamação” (1946), em 87º. Cary Grant quase morreu no palco, pois teve uma hemorragia cerebral fulminante, aos 82 anos, ao sair do Teatro Adler, em Davenport, Iowa, onde ensaiava um espectáculo "An Evening With Cary Grant". Morreu poucas horas depois e o corpo seria levado para Los Angeles onde, conforme a sua vontade, foi cremado sem qualquer cerimónia fúnebre. Antes de morrer, avisou a mulher e os filhos “de que depois de morto, coisas horríveis iriam ser ditas a seu respeito”. 


Filmografia / no cinema (principais filmes): 1932: This Is the Night (Esposa Improvisada), de Frank Tuttle Blonde Venus (A Vénus Loira), de Josef von Sternberg; 1933: Alice in Wonderland (Alice no País das Fadas), de Norman Z. McLeod; 1934: Thirty Day Princess (30 Dias Princesa), de Marion Gering; Born to Be Bad (Nascida para o Mal), de Lowell Sherman; 1935: Sylvia Scarlett (Sylvia Scarlett), de George Cukor; 1936: Big Brown Eyes (Aqueles Olhos Negros), de Raoul Walsh; 1937: Topper (O Par Invisível), de Norman Z. McLeod; The Awful Truth (Com a Verdade Me Enganas), de Leo McCarey; 1938: Bringing Up Baby (Duas Feras), de Howard Hawks; Holiday (A Irmã da Minha Noiva), de George Cukor; 1939: Gunga Din (Gunga Din), de George Stevens; Only Angels Have Wings (Paraíso Infernal), de Howard Hawks; In Name Only (Engano Nupcial), de John Cromwell; 1940: His Girl Friday (O Grande Escândalo), de Howard Hawks; My Favorite Wife (A Minha Mulher Favorita), de Garson Kanin;The Howards of Virginia (Paixão da Liberdade), de Frank Lloyd; The Philadelphia Story (Casamento Escandaloso), de George Cukor; 1941: Penny Serenade (A Canção da Saudade), de George Stevens; Suspicion (Suspeita), de Alfred Hitchcock; 1942: The Talk of the Town (O Assunto do Dia), de George Stevens; Once Upon a Honeymoon (Lua Sem Mel), de Leo McCarey; 1943: Mr. Lucky (O Senhor Felizardo), de H.C. Potter; Destination Tokyo (Rumo a Tóquio), de Delmer Daves; 1944: Once Upon a Time (O Eterno Fantasista), de Alexander Hall; 1944: None But the Lonely Heart (O Vagabundo), de Clifford Odets; Arsenic and Old Lace (O Mundo É um Manicómio), de Frank Capra; 1946: Without Reservations (A Viajante Clandestina), de Mervyn LeRoy; Night and Day (Fantasia Dourada), de Michael Curtiz; Notorious (Difamação), de Alfred Hitchcock; 1947: The Bachelor and the Bobby-Soxer (O Solteirão e a Pequena), de Irving Reis; The Bishop's Wife (O Mensageiro do Céu), de Henry Koster; 1948: Mr. Blandings Builds His Dream House (O Lar dos Meus Sonhos), de Henry C. Potter; 1949: I Was a Male War Bride (Fizeram-me Passar por Mulher), de Howard Hawks; 1950: Crisis, de Richard Brooks; 1951: People Will Talk (Falam as Más-Línguas), de Joseph L. Mankiewicz; 1952: Room for One More (Sempre Cabe Mais Um), de Norman Taurog; Monkey Business (A Culpa Foi do Macaco), de Howard Hawks; 1953: Dream Wife (A Esposa Ideal), de Sidney Sheldon; 1955: To Catch a Thief (Ladrão de Casaca), de Alfred Hitchcock; 1957: An Affair to Remember (O Grande Amor da Minha Vida), de Leo McCarey; The Pride and the Passion (Orgulho e Paixão), de Stanley Kramer; Kiss Them for Me (Quatro Dias de Loucura), de Stanley Donen; 1958: Indiscreet (Indiscreto), de Stanley Donen; Houseboat (Quase nos Teus Braços), de Melville Shavelson; 1959: North by Northwest (Intriga Internacional), de Alfred Hitchcock; Operation Petticoat (Manobra de Saias), de Blake Edwards; 1960: The Grass Is Greener (Ele, Ela e o Marido), de Stanley Donen; 1962: That Touch of Mink (Carícias de Luxo), de Delbert Mann; 1963: Charade (Charada), de Stanley Donen; 1964: Father Goose (Grão-Lobo Chama), de Ralph Nelson; 1966: Walk Don't Run (Devagar, não Corra), de Charles Walters. 

terça-feira, 18 de abril de 2017

A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES


A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES (1958)


1. “A Mulher que Viveu Duas Vezes”. Consta que Alfred Hitchcock gostaria muito de adaptar ao cinema “Celle qui n'Était Plus”, um romance da dupla francesa, Pierre Boileau e Thomas Narcejac, entretanto adaptado em França, em 1955, por Henri-Georges Clouzot, com o título “Les Diaboliques”. Sabendo do interesse do realizador norte-americano, Boileau e Narcejac resolveram escrever um novo romance, "D'Entre les Morts", que enviaram a Hitch. Assim nasce “Vertigo”, que conta com o trabalho de Alec Coppel e Samuel A. Taylor na escrita do guião, com a colaboração, não referenciada no genérico, do escritor e dramaturgo Maxwell Anderson.
Extremamente original quando foi rodado, na forma como desenvolve a narrativa e nos processos técnicos utilizados (muitas vezes repetidos e copiados posteriormente, o que pode dar a sensação hoje em dia de não ser tão original quanto o foi em 1957), “A Mulher que Viveu Duas Vezes” é uma obra extremamente complexa, jogando com alguns dos temas caros a Hitchock. Um deles é a obsessão da culpa, outro a presença de uma loura capitosa, que oscila entre vítima indefesa e mulher fatal, um terceiro o recurso à psicanálise e aos complexos e pulsões eróticas desencadeados pelas teorias de Freud e continuadores, muito em voga por esses anos no cinema norte-americano. 


John Ferguson (o sempre notável James Stewart) é um polícia reformado, que sente a culpa de estar ligado à morte de um companheiro de equipa que, ao longo de uma perseguição pelos telhados de São Francisco, ao tentar salvá-lo de uma queda, acaba por sucumbir ele próprio no precipício. Ferguson não sente só a culpa desse acidente, como também fica refém de uma acrofobia que o impede de se aproximar de qualquer abismo, sofrendo de terríveis vertigens que lhe tolhem os movimentos e provocam o desmaio e a queda. Vive a tentar recuperar do trauma, na companhia de Midge Wood (a admirável Barbara Bel Geddes), uma designer que se apresenta como a imagem protectora e maternal de uma amiga e serena apaixonada que lhe dá a força necessária em momentos de maior inquietação. Um dia, Ferguson recebe a proposta de um antigo amigo, Gavin Elster (Tom Helmore), para reatar a sua actividade, agora como detective particular. A ideia é perseguir Madeleine Elster (a belíssima Kim Novak), mulher de Gavin, que atravessa um período conturbado, julgando assumir a personalidade de uma antiga antepassada que se matara. Gavin afirma temer pela sorte da mulher e quere-a acompanhada ao longo do dia, antecipando alguma tragédia. Ferguson acaba por aceitar a incumbência e a beleza de Madeleine e o mistério que a cerca acabará por enfeitiçar o ex-polícia. É difícil ir mais além a desenhar os contornos da trama sem lhe retirar suspense, o que, num filme do mestre do mesmo, seria indesculpável. 


Mas pode dizer-se que Ferguson não se liberta da sua acrofobia, e que alguém se aproveita dela para tentar cometer o crime prefeito. Pode ainda falar-se de uma obsessão amorosa que fulgurantemente galopa, e não se andará muito longe da verdade se se analisar, a certa altura do enredo, o comportamento de Ferguson que se aproxima muito de um sintomático pigmaleanismo, procurando recriar a mulher dos seus sonhos. Aliás a revisitação de alguns temas mitológicos clássicos e de alguns sonhos freudianos (há mesmo um pesadelo visual de Ferguson que revela alguma influência surrealista, sob a batuta de mestre Saul Bass) ao longo de toda a obra, que conta ainda com uma curiosa construção cromática, com alguns planos em viragem para um monocromatismo muito interessante de um ponto de vista simbólico, mas sobretudo como efeitos dramáticos conseguidos mercê de mão de mestre pela astúcia formal de Hitch. De um ponto de vista plástico, a obra é de uma elegância e de um beleza sufocantes, uma das mais rigorosas e perfeitas saídas deste genial manipulador de emoções. Há um efeito que começou desde então a ser conhecido como “a vertigem Hitchcock” e através do qual o cineasta consegue o efeito de vertigem conjugando um travelling manual recuando, com um zoom óptico de aproximação. Mas esta é apenas uma das originalidades desta obra-prima que, todavia, na noite da atribuição dos Oscars no ano, apenas se viu distinguida com duas nomeações para Melhor Direcção Artística e Melhor Som, que nem estes haveria de ganhar. Aliás, a recepção do público na época da estreia, foi razoavelmente boa, bem como a da crítica, sem todavia entusiasmar quem quer que seja. Nem a fabulosa partitura musical de Bernard Hermann suscitou na altura entusiasmo devido. 
O título só começou a ser devidamente valorizado a partir da década de 70, quando alguns realizadores (entre os quais Martin Scorsese e Brian De Palma), muito influenciados pela crítica europeia, lhe atribuíram um outro valor. Mas foi definitivamente depois do restauro, em 1996, que a obra saltou para os lugares de topo das listas dos Melhores de Sempre.
“A Mulher Que Viveu Duas Vezes” não é curiosamente o filme preferido de Hitch (chegou a confessar que uma das suas obras preferidas era “Shadow of a Doubt” - A Sombra de Uma Dúvida-, de 1943), mas, igualmente segundo as suas próprias palavras, terá sido “o seu filme mais pessoal”, onde a protagonista pode considerar-se a representação das mulheres da vida de Alfred Hitchcock.


2. “Vertigo” o melhor filme de sempre?... “Sight & Sound” é uma revista inglesa de crítica cinematográfica que apareceu em 1932, passando, a partir de 1934, a ser editada pelo BFI (British Film Institute).  A revista mantem-se ainda hoje como uma das publicações mais prestigiadas em todo o mundo. De edição mensal, dá igual importância a obras de grande público e de circuitos restritos, sendo dirigida por Gavin Lambert entre 1949 e 1955, depois (de 1956 a 1990), por Penelope Houston. Actualmente é da responsabilidade de Nick James. Em 1952, a “Sight & Sound” organizou um primeiro inquérito entre críticos, realizadores, historiadores, académicos e distribuidores de todo o mundo, solicitando a cada um deles a sua lista dos 10 Melhores Filmes de Sempre. Do cômputo geral saiu uma lista que tinha à frente “Ladrões de Bicicletas”, de Vittorio de Sica, e uma maioria de obras do cinema mudo: 1. Bicycle Thieves (25 votos), 2. City Lights (19), 2. The Gold Rush (19), 4. Battleship Potemkin (16), 5. Intolerance (12), 5. Louisiana Story (12), 7. Greed (11), 7. Le Jour se Leve (11), 7. The Passion of Joan of Arc (11), 10. Brief Encounter (10), 10. La Règle du Jeu (10) e 10. Le Million (10). Dez anos depois, a revista repetiu o inquérito, com resultados bastante diferentes. “Citizen Kane”, de Orson Welles, aparecia à frente: 1. Citizen Kane (22 votos), 2. L'Avventura (20), 3. La Règle du Jeu (19), 4. Greed (17), 4. Ugetsu Monogatari (17), 6. Battleship Potemkin (16), 7. Bicycle Thieves (16), 7. Ivan the Terrible (16), 9. La Terra Trema (14) e 10. L'Atalante (13). Em 1972, novo inquérito dava outro resultado, mantendo todavia “Citizen Kane” na dianteira: 1. Citizen Kane (32 votos), 2. La Règle du Jeu (28), 3. Battleship Potemkin (16), 4. 8½ (15), 5. L'Avventura (12), 5. Persona (12), 7. The Passion of Joan of Arc (11), 8. The General (10), 8. The Magnificent Ambersons (10), 10. Ugetsu Monogatari (9) e 10. Wild Strawberries (9).
Nova década passou e, em 1982, a votação sofreu algumas alterações, mas Welles manteve-se na dianteira: 1. Citizen Kane (45 votos), 2. La Règle du Jeu (31), 3. Seven Samurai (15), 3. Singin' in the Rain (15), 5. 8½ (14), 6. Battleship Potemkin (13), 7. L'Avventura (12), 7. The Magnificent Ambersons (12), 7. Vertigo (12), 10. The General (11) e 10. The Searchers (11). Não deixa de ser interessante verificar as alterações. Alguns títulos foram desaparecendo, outros surgindo, alguns subindo ou descendo em virtude do “gosto” da época. Em 1992, a iniciativa manteve-se e o primeiro lugar também: 1. Citizen Kane (43 votos), 2. La Règle du Jeu (32), 3. Tokyo Story (22), 4. Vertigo (18), 5. The Searchers (17), 6. L'Atalante (15), 6. The Passion of Joan of Arc (15), 6. Pather Panchali (15), 6. Battleship Potemkin (15) e 10. 2001: A Space Odyssey (14).
No primeiro inquérito do século XXI (2002), “Vertigo” começa a ameaçar “Citizen Kane” que, todavia, mantém a hegemonia durante 50 anos: 1. Citizen Kane (46 votos), 2. Vertigo (41), 3. La Règle du Jeu (30),4. The Godfather e The Godfather Part II (23), 5. Tokyo Story (22), 6. 2001: A Space Odyssey (21), 7. Battleship Potemkin (19), 7. Sunrise: A Song of Two Humans (19), 9. 8½ (18) e 10. Singin' in the Rain (17).
Em 2012, finalmente, a reviravolta: “Vertigo” em primeiro lugar, “O Mundo a Seus Pés” em segundo. Entretanto o universo de votantes também se alterou consideravelmente em número: 846 críticos, programadores, académicos e distribuidores, notando a ausência de realizadores que agora tinham uma votação à parte. Os resultados: Vertigo (191 votos), 2. Citizen Kane (157), 3. Tokyo Story (107), 4. La Règle du Jeu (100), 5. Sunrise: A Song of Two Humans (93), 6. 2001: A Space Odyssey (90), 7. The Searchers (78), 8. Man with a Movie Camera (68), 9. The Passion of Joan of Arc (65) e 10. 8½ (64).
A “Sight & Sound” desde 92 que mantem um votação isolada para realizadores, com resultados bastante diferentes nalguns aspectos. Em 1992: 1. Citizen Kane, 2. 8½, 3. Raging Bull, 4. La Strada, 5. L'Atalante, 6. The Godfather, 6. Modern Times, 6. Vertigo, 9. The Godfather Part II, 10. The Passion of Joan of Arc, 10. Rashomon e 10. Seven Samurai; Em 2002: 1. Citizen Kane; 2. The Godfather e The Godfather Part II, 3. 8½, 4. Lawrence of Arabia, 5. Dr. Strangelove, 6. Bicycle Thieves, 6. Raging Bull, 6. Vertigo, 9. Rashomon, 9. La Règle du Jeu, 9. Seven Samurai; Finalmente em 2012 os resultados também diferiram da lista mais vasta: 1. Tokyo Story (48 votos), 2. 2001: A Space Odyssey (42), 3. Citizen Kane (42), 4. 8½ (40), 5. Taxi Driver (34), 6. Apocalypse Now (33), 7. The Godfather (31), 07. Vertigo (31), 9. The Mirror (30) e 10. Bicycle Thieves (29).
Até agora esteve a falar-se sobretudo de filmes de ficção (com uma ou outra excepção documental). Em 2014, a “Sight & Sound” realizou um inquérito sobre os Melhores Documentários de Sempre. Por curiosidade, aqui ficam os resultados: 1. Man with a Movie Camera (100 votos), 2. Shoah (68), 3. Sans Soleil (62), 4. Night and Fog (56), 5. The Thin Blue Line (49), 6. Chronicle of a Summer (32), 7. Nanook of the North (31), 8. The Gleaners and I (27), 9. Dont Look Back (25) e 9. Grey Gardens (25).
Voltando a “Vertigo” e ao seu primeiro lugar em 2012, há que referir que a sua foi uma subida gradual, durante os últimos decénios, desde o sétimo lugar em 1998, passando por um quarto (2000), por um segundo (2002) para alcançar o topo da pirâmide em 2012. Esta progressiva subida quer dizer alguma coisa de consistente: o filme foi cada vez mais apreciado, sem dúvida. Mas, por outro lado, estes inquéritos comportam uma percentagem de incerteza muito grande quanto aos resultados. Primeiro que tudo há que avaliar o universo de convidados a votar. Se forem todos escolhidos em função de uma certa tendência estética ou geográfica, os resultados não podem ser consistentes. E sabe-se muito bem como se podem influenciar as conclusões, escolhendo sabiamente as premissas. Depois, as listas não são analisadas em função das preferências no interior de cada votante. Muito pelo contrário: cada filme é um voto e é da soma dos votos que sai o resultado final. Mas, quaisquer que sejam as dúvidas, são interessantes e esclarecedores os desfechos. Se será ou não o Melhor Filme de Sempre (ao cair do ano de 2012), não importa muito. É seguramente um dos Melhores Filmes de Sempre, o que já importa bastante. Para mim, já agora como nota pessoal, nunca o colocaria sequer entre os meus Dez Melhores. O que não invalida que o considere uma obra-prima inquestionável.


A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES
Título original: Vertigo.
Realização: Alfred Hitchcock (EUA, 1958); Argumento: Alec Coppel, Samuel A. Taylor, segundo romance de Pierre Boileau  e Thomas Narcejac ("D'Entre Les Morts"), como colaboração não creditado de Maxwell Anderson; Produção: Herbert Coleman, Alfred Hitchcock; Música: Bernard Herrmann; Fotografia (cor):  Robert Burks; Montagem: George Tomasini; Casting: Bert McKay; Direcção artística: Henry Bumstead, Hal Pereira; Decoração:  Sam Comer, Frank R. McKelvy; Guarda-roupa:  Edith Head; Maquilhagem: Nellie Manley, Wally Westmore;  Direcção de Produção:  Frank Caffey, Andrew J. Durkus, C.O. Erickson, Don Robb;  Assistentes de realização: Daniel McCauley; Departamento de arte: Saul Bass (poster e genérico), Gene Lauritzen, Manlio Sarra (retrato de Carlota); Som: Winston H. Leverett, Harold Lewis;  Efeitos visuais: Farciot Edouart, John P. Fulton, W. Wallace Kelley, Paul K. Lerpae, John Whitney Sr.; Companhias de produção: Paramount Pictures, Alfred J. Hitchcock Productions; Intérpretes: James Stewart (John 'Scottie' Ferguson), Kim Novak (Madeleine Elster / Judy Barton), Barbara Bel Geddes (Midge Wood), Tom Helmore (Gavin Elster), Henry Jones (Coroner), Raymond Bailey  (médico de Scottie), Ellen Corby (gerente do McKittrick Hotel), Konstantin Shayne (Pop Leibel), Lee Patrick, David Ahdar, Isabel Analla, Jack Ano, Margaret Bacon, John Benson, Danny Borzage, Margaret Brayton, Paul Bryar, Steve Conte, Jean Corbett, Bruno Della Santina, Roxann Delman, Molly Dodd, Bess Flowers, Joe Garcio, Joanne Genthon, Don Giovanni, Roland Gotti, Victor Gotti, Fred Graham, Robert Haines, Buck Harrington, Alfred Hitchcock (homem a passear na rua, aos 11 minutos do filme), Jimmie Horan, Art Howard, Catherine Howard, June Jocelyn,  David McElhatton, Miliza Milo, Lyle Moraine, Forbes Murray, Julian Petruzzi, Ezelle Poule,  Kathy Reed, William Remick, Jack Richardson, Jeffrey Sayre, Nina Shipman, Dori Simmons, Ed Stevlingson, Sara Taft, etc. Duração: 129 minutos; Distribuição em Portugal: Midas Filmes; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 13 de Janeiro de 1959.

JAMES STEWART (1908-1997)
James Maitland Stewart nasceu a 20 de Maio de 1908, em Indiana, Pensilvânia, EUA, e faleceu a 2 de Julho de 1997, com 89 anos, em Los Angeles, Califórnia, EUA. Foi casado com a ex-modelo Gloria Hatrick McLean (1949-1994). Foi um actor de teatro, cinema e televisão, tendo protagonizado vários clássicos, sendo considerado um actor incomparável pelo público mundial. Foi nomeado cinco vezes para o Oscar, que ganhou em 1941, pelo seu trabalho em “The Philadelphia Story”. Na televisão conquistou o Globo Ouro de Melhor Actor, nasérie dramática, de 1974, “Hawkins”. Inicialmente, tentou arquitectura, mas acabaria no teatro, nos palcos da Broadway. Foi nos filmes de Frank Capra que começou a chamar a atenção para o seu trabalho no cinema, sobretudo a partir de “Mr. Smith Goes to Washington” (1939). Neste filme, James começou a construir o papel pelo qual mais tarde seria reconhecido, o de idealista convicto. Foi um actor que muitos realizadores gostavam de ter no elenco dos seus filmes. Por isso Hitchcock, Capra, Ford, Anthony Mann e alguns mais não o dispensavam na sua filmografia.  James Stewart morreu na sua casa, em Beverly Hills, de embolia pulmonar. Encontra-se sepultado no Forest Lawn Memorial Park, Glendale, em Los Angeles.


Filmografia / Cinema (principais filmes): 1934: Art Trouble (curta-metragem); 1935: The Murder Man, de T. Whelan; 1935: Rose Marie (Rose Marie), de W.S. Van Dyke ; 1938: The Shopworn Angel (Um Anjo no Inferno), de H. C. Potter; You Can't Take It with You (Não o Levarás Contigo), de Frank Capra; 1939: Mr. Smith Goes to Washington (Peço a Palavra), de Frank Capra; Made For Each Other (A Vida Começa Amanhã), de John Cromwell; Ice Folies of 1939 (O Turbilhão de Gelo), de R. Scheinzel; Destry Rides Again (A Cidade Turbulenta), de George Marshall; 1939: It's a Wonderful World (Afinal, o Mundo é Belo!), de Frank Capra; 1940: No Time for Comedy (A Vida é Uma Comédia), de William Keighley; The Philadelphia Story (Casamento Escandaloso), de George Cukor; The Shop Around the Corner (A Loja da Esquina), de Ernest Lubitsch; The Mortal Storm (Tempestade Mortal ou Tempos de Maldição), de Frank Borzage; 1941: Ziegfeld Girl (Sonho de Estrelas), de R. Z. Leonard; 1942: Come Live with Me (Compra-se Um Marido), de Clarence Brown; 1946: It's a Wonderful Life (Do Céu Caiu uma Estrela), de Frank Capra; Magic Town (A Cidade Mágica), de William A. Wellman; 1948: Rope (A Corda), de Alfred Hitchcock; On Our Merry Way (Tudo Pode Acontecer), de L. Fenton, K. Vidor, G. Stevens e J. Huston; Call Northside 777 (A Verdade Triunfou), de Henry Hathaway; 1949: The Stratton Story (Tenacidade), de Sam Wood; Malaya (Malaia), de Richard Thorpe; 1950: Winchester '73 (Winchester '73), de Anthony Mann; Broken Arrow (A Flecha Quebrada), de Delmer Daves; Harvey (Havey), de Henry Koster; 1951: No Highway in the Sky (Viagem fantástica), de Henry Koster; 1952: The Greatest Show on Earth (O Maior Espectáculo da Terra), de Cecil B. de Mille; Bend of the River ou Where the River Bends (Jornada de Heróis), de Anthony Mann; 1953: Thunder Bay (A Baía das Tormentas), de Anthony Mann; The Naked Spur (Esporas de Aço), de Anthony Mann; 1953: The Glenn Miller Story (A História de Glenn Miller), de Anthony Mann; 1954: Rear Window (Janela Indiscreta), de Alfred Hitchcock; 1955: Strategic Air Command (Asas no Céu), de Anthony Mann; The Far Country (Terra Distante), de Anthony Mann; The Man from Laramie (O Homem que Veio de Longe), de Anthony Mann; 1956: The Man Who Knew Too Much (O Homem que Sabia Demais), de Alfred Hitchcock; 1957: The Spirit of St. Louis (A Águia Solitária), de Billy Wilder; Night Passage (Duelo de Gigantes), de James Nielson ; 1958: Vertigo (A Mulher que Viveu Duas Vezes), de Alfred Hitchcock; Bell, Book and Candle (Sortilégio do Amor), de Richard Quine; 1959: Anatomy of a Murder (Anatomia de um Crime), de Otto Preminger; The FBI Story (Profissão Perigosa), de Melvyn Le Roy; The Mountain Road (Estrada da Montanha), de Daniel Mann; Two Rode Together (Terra Bruta), de John Ford; 1962: The Man Who Shoot Liberty Valance (O Homem que Matou Liberty Valance), de John Ford; Mr. Hobbs Takes a Vacation (O Senhor Hobbs Vai de Férias), de Henry Koster; 1963: Take Her, She's Mine (Esta Filha não é Minha), de Henry Koster; How the West Was Won (A Conquista do Oeste), de J. Ford, G. Marshall, H. Hathaway; 1964: Cheyenne Autumn (O Grande Combate), de John Ford; 1965: The Flight of the Phoenix (O Vôo da Fénix), de Robert Aldrich; 1966: The Rare Breed (Rancho Bravo), de A. V. McLaglen; Shenandoah (O Vale da Honra), de A. V. McLaglen; 1968: Bandolero! (Bandolero!), de A. V. McLaglen; Firecreek (A Hora da Fúria), de Vicent McEverty; 1970: The Cheyenne Social Club (Um Clube só para Cavalheiros), de Gene Kelly; 1971: Fools' Parade (Três Homens em Fuga), de A. V. McLaglen; 1976: The Shootist (O Atirador), de Don Siegel1977: Airport '77 (Aeroporto 1977), de Jerry Jameson; 1974: That’s Entertainment (Isto é Espectáculo), de J. Haley Jr. (comentário); 1978: The Big Sleep (O Sono Derradeiro), de Michael Winner; 1980: Afrika Monogatari, de Susumu Hani, Simon Trevor; 1991: An American Tail: Fievel Goes West (Um Conto Americano 2 - Fievel no Faroeste) (só voz).