terça-feira, 3 de janeiro de 2017

OS SETE SAMURAIS


OS SETE SAMURAIS (1954)

A lenda de que os “Os Sete Samurais” nos fala remonta ao século XVI, numa altura em que “o Japão agonizava por entre guerras civis” e os agricultores “eram aniquilados por bandidos cruéis”. Lê-se no texto introdutório do filme de Kurosawa, que, na altura da sua estreia internacional, muito consideraram o primeiro western japonês, dada as suas semelhanças com muito clássicos norte-americanos e dado ainda o facto amplamente divulgado do mestre nipónico ser um confessado admirador de John Ford ou Raoul Walsh. Curiosamente, se “Os Sete Samurais” vai buscar alguma influência aos westerns norte-americanos, a verdade é que esta obra tem, igualmente, durante muitas gerações, entusiasmado e apaixonado diversos artistas e escritores ocidentais, nomeadamente americanos do norte. Para falar única e exclusivamente do sector cinematográfico, este filme de Akira Kurosawa, datado de 1954, teve já várias adaptações posteriores (todos elas inferiores ao original, mesmo no caso de Sturges), o que dá uma ideia da atracção que o tema-base provoca. Assim, John Sturges dirigiu um western (hoje já com fama igualmente de clássico), a que chamou “Os Sete Magníficas” (The Magnificent Seven). Aqui, a pobre aldeia que contrata os sete pistoleiros situava-se no México e os bandidos que a assolam regularmente e sem piedade são igualmente pistoleiros sem escrúpulos, aproveitando-se do estado de terror e da ignorância da gente que dominam. O filme de Sturges data de 1960, e conheceu várias sequelas mais ou menos directas: “O Regresso dos 7 Magníficos” (Return of the Seven, 1966), de Burt Kennedy, “Colts Para os Sete Magníficos” (Guns of the Magnificent Seven, 1969), de Paul Wendkos, “O Ataque dos 7 Magníficos” (The Magnificent Seven Ride!, 1972), de George McCowan, e ainda uma série para televisão, “The Magnificent Seven” (1998), criada por Pen Densham e John Watson com base no filme de Sturges. Muito recentemente, surgiu mesmo um remake do filme original, “Os Sete Magníficos” (The Magnificent Seven, 2016), de Antoine Fuqua. Mas muitos outros casos se conhecem, adaptando a mesma história a diferentes cenários, do peplum histórico, por exemplo “Sete Magníficos Gladiadores” (I sette magnifici gladiatori, 1983), de Claudio Fragasso e Bruno Mattei, ou “Sete contra Todos” (Sette contro tutti, 1965), de Michelle Lupo, até uma aventura passado no Cazaquistão, pós a queda do Muro de Berlim, “Dikiy vostok” (1993), de Rashid Nugmanov. Por vezes muda o número de “samurais” mas não o centro da intriga: “The Magnificent Eleven” (2012), de Jeremy Wooding. Muitos destes exemplos revelam a decadência da lenda e o oportunismo de um tipo de produção standard.


O filme de Akira Kurosawa conta-nos, pois, a odisseia de sete samurais que uma aldeia indefesa contrata para poder fazer frente a um grupo de bandidos que os saqueia impunemente, cobrando um imposto em alimentos, destruindo e matando os seus habitantes (quase todos eles camponeses pacíficos e miseráveis). Não podem ser samurais de prestigio, têm de ser pobres samurais que se contentem com uma malga de arroz. O que pressupõe um casting demorado e por vezes divertido, o que é uma das características dominantes deste título: o humor está sempre presente, mesmo nas situações aparentemente mais delicadas ou sangrentas.
Depois de um período de adaptação particularmente laborioso (os samurais são olhados com receio pelos camponeses que, de início, não acreditam na sua boa vontade), a população da aldeia começa finalmente a depositar uma certa confiança nos mercenários que contratou, acabando ambas as partes por se identificarem na mesma luta, na qual empregam igual ardor e violência. Tempos depois, quando os bandoleiros atacam de novo a aldeia, têm de se haver com um' grupo organizado de resistentes, que os dizima a quase todos e obriga os restantes a fugir.
Alguns críticos e ensaístas que conhecem bem a obra de Kurosawa, de que em Portugal se viram “As Portas do Inferno” (Roshomon, 1950), “O Idiota”(1951), “Trono de Sangue” (1957), “Yojimbo, o Invencível” (1961), “Sanjuro” (1962), “Barba-Ruiva” (1964), “Dersu Uzala” (1975), “Kagemusha - A Sombra do Guerreiro” (1980), “Ran - Os Senhores da Guerra” (1985), “Sonhos de Akira Kurosawa” (1990), “Rapsódia em Agosto” (1991) e “Ainda Não!” (1993), afirmam que Akira Kurosawa é o mais ocidental dos realizadores nipónicos. Ele próprio manifesta a sua admiração e apreço pela obra de alguns cineastas americanos de raiz clássica, como já vimos. “Os Sete Samurais” bastariam, contudo, para cimentar esta ideia. Adaptando uma lenda do século XVI, Kurosawa actualiza-lhe a mensagem generosa e transforma em epopeia o esforço heroico dos sete samurais (mas também do povo que os adopta) na luta contra a injustiça e a prepotência dos bandoleiros que os exploram. Refira-se sempre o facto de Kurosawa sublinhar o papel colectivo do empreendimento que só assim conseguirá ter êxito, mesmo que contando com o apoio essencial dos profissionais da guerra.


Interessante será aqui saber-se o que torna um samurai diferente de um outro qualquer japonês. Folheando enciclopédias, percebe-se que o samurai, que lentamente se foi transformando numa casta social, teve inicio no Japão do século VIII. Mas foi com a fundação do primeiro xogunato, no final do século XII, que principiou o período de sete séculos de dominação política e social samurai sobre o povo japonês, que terminou com a Restauração Meiji e a queda do terceiro xogunato, na segunda metade do século XIX. O que distinguia o samurai eram os seus feitos heroicos, o seu adestramento nas artes marciais, chamadas ao tempo Kobudo, mas sobretudo o seu comportamento moral. A desonra levava-o ao suicídio, o seppuku, na terminologia local, pois para um samurai melhor era a morte a sobreviver sem honra.
O prestigio dos samurais foi decrescendo com o andar do tempo (na época de “OS Sete Samurais” percebe-se que já existiam muitos tipos de samurais, e que muitos se tinham burocratizados), mas o código moral samurai, chamado bushido, sobreviveu, e mesmo na actualidade existem sinais de que o mesmo persiste. Quem não recorda o caso do escritor e dramaturgo Yukio Mishima que, a 25 de Novembro de 1970, depois de uma tentativa de rebelião falhada, se suicidou de forma espectacular, realizando um seppuku, num compromisso declarado com o Bushido (o código de honra e conduta do samurai). Diga-se ainda, que o código e o modo de vida do samurai influenciaram igualmente o Ocidente. Basta citar um filme de Jean Pierre Melville, “Le Samurais”, ou “O Último Samurai”, de Edward Zwick.

Esta sugestão de código moral, este serviço em prol da justiça, será a linha geral que sustenta a obra. Mas a arte de Kurosawa vai muito mais longe. Deve salientar-se toda a gama de anotações pessoais que dão vida e justificam o comportamento psicológico de cada um dos sete profissionais do sabre. Neste aspecto, Kurosawa revela-se notável pela agudeza com que exprime uma figura ou pela simplicidade com que rapidamente a desenha e define. A figura de Toshirô Mifune ficará para sempre na memória do espectador, mas todos os outros se mostram dignos companheiros de armas e de arte, heróis de uma desarmante humanidade.
“Os Sete Samurais”, película que hoje todas as histórias do cinema não se eximem de comentar largamente, sendo considerada um dos clássicos do cinema japonês, documenta também o virtuosismo de uma realização notável, onde a espectacularídade nada rouba à interioridade requerida noutros passos, onde a montagem nervosa e incisiva imprime um ritmo de narrativa ágil e desenvolta, onde se manifesta ainda toda a exuberância (e exotismo, para nós, ocidentais) de uma representação excelente a todos os títulos. As cenas de batalha são magnificamente orquestradas, coreografadas mesmo, mas todas as imagens mais intimistas revelam um toque poético e lírico invulgar.
A rodagem das cenas de acção, nomeadamente o ataque final dos bandidos à aldeia, foi efectuada com recurso a diversas câmaras a filmar em simultâneo, técnica na altura não muito vulgar e que permitiu uma montagem particularmente empolgante. Mas a qualidade plástica e o rigor de enquadramento, de iluminação, de movimentação das personagens e da câmara em função delas são outros aspetos a ter em conta e que muito valorizam a obra. Toda a fase de rodagem foi muito dispendiosa, em virtude das exigências de qualidade do realizador que prolongou as filmagens para além do inicialmente previsto, o que teve reflexos óbvios no orçamento final. A Toho, companhia produtora, uma das mais importantes do Japão, chegou a por em causa terminar o filme que ia causando a ruina desses estúdios. Mas tudo acabaria por terminar em bem com o sucesso internacional da obra.
Filme arrebatador, “Os Sete Samurais” constituiu, juntamente com “Às Portas do Inferno” (Rashômon, 1950), do mesmo Kurosawa, “Contos da Lua Vaga”, de Kenji Mizoguchi (1953), e poucos mais, o grupo da frente do cinema japonês a penetrar nos festivais ocidentais no inicio da década de 50, revelando uma cinematografia absolutamente deslumbrante, e até aí quase ignorada das plateias europeias e americanas.


OS SETE SAMURAIS
Título original: Shichinin no samurai
Realização: Akira Kurosawa (Japão, 1954); Argumento: Akira Kurosawa, Shinobu Hashimoto, Hideo Oguni; Produção: Sôjirô Motoki; Música: Fumio Hayasaka; Fotografia (p/b): Asakazu; Montagem: Akira Kurosawa; Design de produção: Takashi Matsuyama; Direcção artística: Sô Matsuyama; Guarda-roupa: Kôhei Ezaki, Mieko Yamaguchi; Maquilhagem: Midori Nakajô, Junjirô Yamada; Direcção de Produção: Hiroshi Nezu; Assistentes de realização: Sakae Hirosawa, Hiromichi Horikawa, Toshi Kaneko, Masaya Shimizu, Yasuyoshi Tajitsu; Departamento de arte: Kôhei Ezaki, Kôichi Hamamura, Yoshirô Muraki; Som: Ichirô Minawa, Fumio Yanoguchi; Companhia de produção: Toho Company; Intérpretes: Toshirô Mifune (Kikuchiyo), Takashi Shimura (Kambei Shimada), Keiko Tsushima (Shino), Yukiko Shimazaki (mulher), Kamatari Fujiwara (Manzo), Daisuke Katô (Shichiroji), Isao Kimura (Katsushiro), Minoru Chiaki (Heihachi), Seiji Miyaguchi (Kyuzo), Yoshio Kosugi, Bokuzen Hidari, Yoshio Inaba, Yoshio Tsuchiya, Kokuten Kôdô, Eijirô Tôno, Kichijirô Ueda, Jun Tatara, Atsushi Watanabe, Toranosuke Ogawa, Isao Yamagata, Sôjin Kamiyama, Gen Shimizu, Keiji Sakakida. Shinpei Takagi. Shin Ôtomo. Toshio Takahara. Hiroshi Sugi. Hiroshi Hayashi. Sachio Sakai. Sôkichi Maki. Ichirô Chiba. Noriko Sengoku, etc. Duração: 207 minutos; 160 minutos na versão internacional; Distribuição em Portugal (DVD): New Age; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 29 de Março de 1968.

TOSHIRO MIFUNE (1920- 1997)

Toshirō Mifune é o mais importante actor do cinema japonês e possivelmente o mais significativo actor de todo o Oriente. Nascido a          1 de Abril de 1920, em Qingdao, na província de Shandong, na China, filho de missionários japoneses. Foi fotógrafo em Xngai, e durante a II Guerra Mundial serviu no exército japonês, tendo-se radicado no Japão a partir de 1946. Do ano seguinte são as suas primeiras participações como actor em filmes como “Shin Baka Jidai”, de Kajiro Yamamoto, ou “Ginrei no hate”, de Senkichi Taniguchi, com argumento de Akira Kurosawa, de quem se torna o seu actor preferido. Logo em 1948 surge com enorme sucesso de público e de crítica em “Yoidore tenshi”, de Kurosawa, num papel de gangster. Mas seria em “Rashomon” (1951), numa obra do mesmo realizador que, no papel de assassino, se transformaria numa vedeta planetária. O filme ganhou o Oscar de Melhor Filme em Lingua Estrangeira. Depois seria protagonista de quase centena e meia de obras, dezasseis das quais dirigidas por Kurosawa, como “Os Sete Samurais”, “Yojimbo” (1960), com o qual conquistou o prêmio de melhor actor no Festival de Veneza, galardão que voltaria a alcançar em 1965, com “O Barba Ruiva”, do mesmo cineasta. Foi muito solicitado igualmente para papeis em filmes ocidentais, tais como “Tora! Tora! Tora!” (1969), de Richard Fleischer (e ainda Kinji Fukasaku e Toshio Masuda), Grand Prix (1966), de John Frankenheimer, ou “Hell in The Pacific” (1968), de John Boorman. Surgiu igualmente na série televisiva “Shogun” (1980), de Jerry London. Em 1964, estreou como diretor com “Gojuman no Isan”, sem grande sucesso. Morreu a 24 de Dezembro de 1997, em Tóquio, aos 77 anos. Era casado com Sachiko Yoshimine (1950–1995). 

sábado, 31 de dezembro de 2016

O OFICIO DE MATAR


O OFÍCIO DE MATAR (1967)

O código de honra dos samurais japoneses, conhecido por “bushidô”, continua a ser respeitado e admirado no Japão, mas influenciou igualmente muitas obras de arte ocidentais, nomeadamente no cinema, onde se destaca precisamente este “Le Samurai”, do francês Jean-Pierre Melville, interpretado por Alain Delon, numa das melhores criações da sua longa filmografia.
Miyamoto Musashi, que, além de ser considerado um dos maiores samurais de sempre (senão mesmo o maior), escreveu ainda um tratado de guerra e de conduta moral,O Livro dos Cinco Anéis”, disse um dia: “Os homens devem moldar o seu caminho. A partir do momento em que alguém vir o caminho em tudo o que fizer, esse alguém tornar-se-á o caminho.” O samurai, para lá da coragem e heroísmo das suas acções, da força e do rigor da sua disciplina, seguia um código rígido de conduta, o bushidô ou “O Caminho do Guerreiro”, um conjunto de regras que para o samurai tinham mais força do que as próprias leis do estado. Para quem seguia o bushidô, o objetivo da vida era uma morte honrosa. Um dos seus principais preceitos era saber que “o verdadeiro samurai só tem um juiz da sua honra: ele mesmo. As escolhas que fizer e como fizer para as obter são um reflexo de quem realmente se é”.
Tudo isto a propósito de “Le Samurai”, filme, que tem como protagonista Jef Costello (Alain Delon), um assassino contratado que executa as encomendas com o maior pragmatismo e frieza. Não há qualquer tipo de sentimento ou emoção no trabalho que efectua. Vive na maior solidão. “Não há mais profunda solidão que a do samurai, a não ser talvez a do tigre na selva”, volta-se a citar um pensamento de samurai, precisamente a frase com que se inicia o filme de Jean-Pierre Melville.  Jef é contratado para matar o dono de um cabaret. Acaba preso, a policia incluiu-o num grupo de suspeitos. Algumas testemunhas, porém, não conseguem (ou não querem) identifica-lo como o autor dos disparos. É posto em liberdade, mas agora vive acossado pela polícia, que continua desconfiada, e pelos mandantes do assassinato, que o julgam perigoso. Assim se descobre na solidão mais completa, assim se encontra o caminho para um final honroso.
Jean-Pierre Melville (1917–1973) é um cineasta singular, autor de uma obra inclassificável. Começou a sua filmografia em finais da década de 40, com a adaptação do romance de Vercors, “Le silence de la mer” (1949), continuando com Jean Cocteau, “Les enfants terribles” (1950) e depois “Quando Leres Esta Carta” (1953). A partir de 1956, com “Bob le flambeur”, entra no universo do gangsterismo, que prolongará em “Dois Homens em Manhattan” (1959). Por essa época, a Nouvelle Vague irrompia pelo cinema francês, destruindo tudo o que ficava para trás, com algumas excepções: Renoir, Vigo, Breson, Tati, Melville. Este tornou-se não um elemento da Nouvelle Vague (nunca pretendeu estar associado a qualquer movimento, ele era também um solitário, com um caminho próprio a percorrer), mas um companheiro de caminho dos jovens da renovação da cinematografia francesa. Aparece como actor nalguns dos filmes mais marcantes desse movimento, como “O Acossado”, de Godard, “Le Signe du Lion”, de Éric Rohmer, “O Duelo na Ilha”, de Alain Cavalier, ou “Landru”, de Claude Chabrol. A sua obra extremamente pessoal prossegue com “Amor Proibido”, incursão pelo universo do clero, para depois se centrar no policial a rondar o filme negro: “O Denunciante”, “Um Homem de Confiança” (ambos de 1963), “O Segundo Fôlego” (1966), “Ofício de Matar” (1967), “O Exército das Sombras” (1969), “O Círculo Vermelho” (1970) e, finalmente, “Cai a Noite Sobre a Cidade” (1972).


“Ofício de Matar” é uma obra extremamente coerente na sua construção narrativa e na sua concepção estética. Desde logo, a cor escolhida, um cinzento esverdeado, distante e frio, que pode relembrar a sela do tigre solitário. Depois, a arquitectura escolhida como cenário vai no mesmo sentido, quer se trate do quarto de Jef, das vielas onde troca de matrícula do carro, e dos ambientes mais sofisticados de bares e habitações de luxo. Em todos o mesmo desconforto, a mesma aridez. O tipo de representação que se escolheu indica igualmente essa intenção. Alain Delon ostenta um rosto impassível, um olhar glacial, um comportamento minucioso. Um gesto de alguma emoção apenas para com o pássaro da gaiola que guarda no quarto, ou para com a namorada, Jane Lagrange (na verdade a mulher de Delon, Nathalie Delon), ou a pianista de cabaret (Cathy Rosier). Mas se há alguma emoção no olhar em certas cenas, logo sobrevem a secura do comportamento e o despojamento dos sentimentos.
Jean-Pierre Melville domina completamente os meios utilizados e escolhe os melhores para cumprir o seu destino de samurai. Melville era um cinéfilo apaixonado. Para ele, fazer cinema era um acto de amor. E amava perdidamente o cinema norte-americano dos anos 40 e 50, sobretudo o filme negro que aqui tão bem homenageia, criando, todavia, um estilo muito próprio. Personagens e situações para Melville são arquétipos, símbolos, num cenário não realista, estilizado, quase abstrato. Assim construiu “Le Samurai”, que muitos estudiosos do seu cinema consideram uma obra-prima e o primeiro sinal do amadurecimento total do seu estilo que depois continuaria em títulos como “O Exército das Sombras” ou “O Círculo Vermelho”.



O OFÍCIO DE MATAR
Título original: Le samouraï
Realização: Jean-Pierre Melville (França, Itália, 1967); Argumento: Jean-Pierre Melville, Georges Pellegrin, segundo romance de Joan McLeod ("The Ronin"); Produção: Raymond Borderie, Eugène Lépicier; Música: François de Roubaix; Fotografia (cor): Henri Decaë; Montagem: Monique Bonnot, Yolande Maurette; Design de produção: François de Lamothe; Decoração: François de Lamothe; Direcção de Produção: Georges Casati; Assistentes de realização: Georges Pellegrin; Departamento de arte: André Boumedil, Robert Christidès, Angelo Rizzi; Som: René Longuet, Robert Pouret, Alex Pront; Companhias de produção: Compagnie Industrielle et Commerciale Cinématographique (CICC), Fida Cinematografica, Filmel, TC Productions; Intérpretes: Alain Delon (Jef Costello), François Périer (Comissário da policia), Nathalie Delon (Jane Lagrange), Cathy Rosier (pianista), Jacques Leroy (o homem na passerelle), Michel Boisrond (Wiener), Robert Favart (barman), Jean-Pierre Posier (Olivier Rey), Catherine Jourdan, Roger Fradet, Carlo Nell, Robert Rondo, André Salgues, André Thorent, Jacques Deschamps, Georges Casati, Jacques Léonard, Pierre Vaudier, Maurice Magalon, Gaston Meunier, Jean Gold, Georges Billy, Ari Aricardi, Guy Bonnafoux, Humberto Catalano, Carl Lechner, Maria Maneva, etc. Duração: 105 minutos; Distribuição em Portugal (DVD): Cine Digital; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 3 de Novembro de 1968.            

ALAIN DELON (1935- )
Alain Delon nasceu em Sceaux, na Borgonha, próximo de Paris. Aos quatro anos, viu os pais, Edith e Fabian, divorciarem-se. Foi então adoptado por um casal, que pouco depois seria assassinado. Volta para junto da mãe, entretanto já casada com outro homem, e enfrenta uma infância problemática, com expulsões de várias escolas. Aos 15 anos deixa de estudar e, dois anos depois, alista-se na marinha francesa, indo lutar na Indochina. Em 1956, regressa a Paris, sem posses, arranja vários empregos, porteiro, garçon, vendedor. Vizinho da cantora Dalida, tornam-se grandes amigos. Em 1957, no Festival de Cannes, onde foi com o amigo Jean-Claude Brialy, chama a atenção do produtor David O. Selznick, que lhe ofereceu um contrato, mas tem de aprender a falar inglês. Entretanto conhece o realizador Yves Allégret, que o convenceu a começar sua carreira na França. Em 1957 interpreta o seu primeiro filme, “Quand la Femme s'en Mele”. Em “Christine” conhece  Romy Schneider, e ambos se apaixonam. Em 1959, foram morar juntos, relacionamento que durou cinco anos.
O seu primeiro grande papel no cinema foi em “Plein Soleil”, de René Clément (1959), que lhe abre as portas para o sucesso. Seguem-se vários títulos importantes, “Rocco e Seus Irmãos” (1960), de Luchino Visconti, com quem volta a trabalhar em “O Leopardo” (1963). Delon é, por essa altura, um sex symbol do cinema europeu, mas igualmente um actor reconhecido, que trabalha com grandes cineastas, como Michelangelo Antonioni, em “O Eclipse”, Jean-Pierre Melville, em “Le Samouraï” (1967), “O Círculo Vermelho” (1970) e “Cai a Noite Sobre a Cidade” (Un flic, 1971), Valerio Zurlini, em “Outono Escaldante” (1972), Joseph Losey, em “O Assassinato de Trotsky” (1972) e” Mr. Klein” (1976) ou Jean-Luc Godard, em “Nouvelle Vague” (1990). Interpretou mais de uma centena de títulos, e afastou-se do cinema, em finais dos anos 90. Apenas surgiu num ou outro trabalho de TV.

Em 1964, casou-se com a atriz Nathalie Delon, e separaram-se em 1969. Depois teve um longo relacionamento com a actriz Mireille Darc. Durante o período em que estava casado com Nathalie, ocorreu um escândalo. Em 1968, um dos seus guarda-costas, Stevan Markovic, foi assassinado e Delon viu-se envolvido no caso. Em 1987 conhece a modelo holandesa Rosalie Van Bremen, e passam a viver juntos. Separam-se em 2001 e Delon conhece um período de depressão que o leva a considerar o suicídio. Em 2012 sofreu um AVC.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O ACTOR: PROGRAMAÇÃO 2017


MASTERCLASS SOBRE HISTÓRIA DE CINEMA

O TRABALHO DE ACTOR

Depois da masterclass “A Actriz, Arte e Sedução”, que aqui foi apresentada há dois anos, com assinalável sucesso, é chegada a altura de dar voz e presença ao Actor. Obviamente que, quando se falou da Actriz, esta tinha sempre atrás de si (ou ao seu lado), actores que não lhes ficavam a dever nada. O mesmo irá acontecer neste novo ciclo, onde magníficas actrizes irão desfilar e dar réplica a essa plêiade de grandes actores de todo o mundo (com óbvia maioria norte-americana) que seleccionámos com a intenção única de demonstrar a grandeza desta arte e dos seus mais completos representantes. Torna-se evidente que, de cada actor, procurámos escolher um título representativo do seu trabalho, de um período particularmente significativo e rico da sua filmografia.
Claro que a cinematografia mais representada é a norte-americana, com obras onde se pode ver e admirar o trabalho de actores como Paul Muni, Walter Pidgeon, Robert Mitchum, Kirk Douglas, Orson Welles, James Cagney, Humphrey Bogart, Alan Ladd, Van Heflin, James Dean, Glenn Ford, Ernest Borgnine, Rod Steiger, Yul Brynner, James Stewart, Spencer Tracy, Ben Gazzara, Cary Grant, James Mason, Gary Cooper, Van Heflin, Charlton Heston, Jack Hawkins, Clark Gable, Montgomery Clift, Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Robert Duvall, Sterling Hayde, John Cazale, Warren Beatty, Burt Lancaster, Richard Widmark, John Wayne, Henry Fonda, Gregory Peck, Steve McQueen, Edward G. Robinson, William Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan, Peter Falk, John Cassavetes, Jack Nicholson, Robert De Niro, Peter Finch, Dustin Hoffman, Robert Redford, Jack Warden, Paul Newman, Harrison Ford, Matthew Broderick, Denzel Washington, Cary Elwes, Robin Williams, Ethan Hawke, Clint Eastwood, Gene Hackman, Morgan Freeman, Tom Hanks, Denzel Washington, Tim Robbins, Tom Cruise, Jason Robards, mesmo actores ingleses, como Laurence Olivier, Peter O'Toole, Richard Burton, Michael Caine, Albert Finney, Tom Courtenay, Edward Fox, Jeremy Irons, Sean Connery, ou australianos, bastando para tanto citar Mel Gibson. Mas há outras cinematografias representadas, como a francesa, onde sobressaem nomes como os de Jean Gabin, Gérard Philipe, Alain Delon, Jean-Paul Belmondo, Jacques Tati, Philippe Noiret ou Gérard Depardieu, a sueca, com a presença de Gunnar Björnstrand e Max von Sydow, a japonesa, com a referência obrigatória a Toshirô Mifune, a italiana, onde se citam como exemplos Alberto Sordi, Vittorio Gassman e Marcello Mastroianni, ou a espanhola (Fernando Rey e Javier Bardem).
Com grande mágoa para quem seleciona os actores aqui representados, há muitos e muitos outros que não constam da lista atrás elaborada. Muitos têm sido suficientemente vistos em anteriores masterclasses, de outros não existem cópias em DVD, com legendas, de filmes significativos, e alguns tiveram mesmo de ser riscados para permitir uma masterclass de um ano e não de uma década. Mas cremos que a selecção final dá uma boa imagem do trabalho de actor, desde a década de 30 até finais do século XX (optou-se igualmente por excluir títulos mais recentes por se encontrarem bem presentes na memória do público).
O actor joga-se em múltiplos registos, em escolas e estilos diversificados, há os instintivos e os que necessitam de longos ensaios, os que precisam da liberdade do improviso, os que assumem as marcações mais rígidas, os que se manifestam essencialmente pela palavra, os que trabalham o corpo, os mais estáticos e os que actuam em movimento… e há os realizadores que captam o melhor de cada um, por vezes em filmes que reúnem actores das mais diversificadas origens. Essa uma das magias do cinema, essa uma das razões de ser de mais esta masterclass. Esperemos que o ano de 2017 seja mais uma temporada de profundo deleite artístico e intelectual, bem como de prazer e saudável entretenimentos para os assíduos acompanhantes destas masterclasses.

Lauro António
O ACTOR
Programação prevista

10 de Janeiro de 2017
O PADRINHO (The Godfather), de Francis Ford Coppola (EUA, 1972); com Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Robert Duvall, Sterling Hayde, Diane Keaton, John Cazale, etc. 175 min; M/ 18 anos. 
17 de Janeiro de 2017
O SÉTIMO SELO (Det Sjunde Inseglet), de Ingmar Bergman (Suécia, 1957); com Gunnar Björnstrand, Max von Sydow, Bibi Andersson, etc. 96 m; M / 12 anos.
24 de Janeiro de 2017
O OFÍCIO DE MATAR (Le Samouraï), de Jean-Pierre Melville (França, 1967), com Alain Delon, Nathalie Delon, François Périer, etc. 105 min; M/ 12 anos.
31 de Janeiro de 2017
OS SETE SAMURAIS (Shichinin no samurai), de Akira Kurosawa (Japão,1954), com Toshirô Mifune, Takashi Shimura, Keiko Tsushima, etc. 207 min; M/ 12 anos.
7 de Fevereiro de 2017
SCARFACE, O HOMEM DA CICATRIZ (Scarface), de Howard Hawks e Richard Rosson (EUA, 1932), com Paul Muni, Ann Dvorak, Karen Morley, etc. 93 min; M/ 12 anos.
14 de Fevereiro de 2017
FOI UMA MULHER QUE O PERDEU (Le Jour se Lève), de Marcel Carné (França, 1939); com Jean Gabin, Jacqueline Laurent, Arletty, etc. 93 min; M/ 12 anos.
21 de Fevereiro de 2017
O VALE ERA VERDE (How Green Was My Valley), de John Ford (EUA, 1941), com Walter Pidgeon, Maureen O'Hara, Anna Lee, etc. 118 min; M/ 12 anos.
28 de Fevereiro de 2017
O ARREPENDIDO (Out of the Past), de Jacques Tourneur (EUA,1947), com Robert Mitchum, Jane Greer, Kirk Douglas, etc. 97 min; M/ 12 anos.
7 de Março de 2017
MACBETH (Macbeth), de Orson Welles (EUA, 1948), com Orson Welles, Jeanette Nolan, Dan O'Herlihy, etc. 92 min; M/ 12 anos.
14 de Março de 2017
FÚRIA SANGUINÁRIA (White Heat), de Raoul Walsh (EUA, 1949), com James Cagney, Virginia Mayo, Edmond O'Brien, etc. 114 min; M/ 16 anos.
21 de Março de 2017
O VAGABUNDO DE MONTPARNASSE (Les Amants de Montparnasse), de Jacques Becker (França, 1958), com Gérard Philipe, Lilli Palmer, Lea Padovan, etc. 108 min; M/ 12 anos.
28 de Março de 2017
A RAÍNHA AFRICANA (The African Queen), de John Huston (EUA, 1951), com Humphrey Bogart, Katharine Hepburn, Robert Morley, etc. 105 min; M/ 12 anos.
4 de Abril de 2017
SHANE (Shane), de George Stevens (EUA,1953), com Alan Ladd, Jean Arthur, Van Heflin, etc. 118 min; M/ 12 anos.
11 de Abril de 2017
A LESTE DO PARAÍSO (East of Eden), de Elia Kazan (EUA, 1955), com James Dean, Raymond Massey, Julie Harris, etc. 115 min; M/ 12 anos.
18 de Abril de 2017
JUBAL (Jubal), de Delmer Daves (EUA, 1956), com Glenn Ford, Ernest Borgnine, Rod Steiger, etc. 100 min; M/ 12 anos.
25 de Abril de 2017
O REI E EU (The King and I), de Walter Lang (EUA, 1956), com Yul Brynner, Deborah Kerr, Rita Moreno, etc. 133 min; M/ 12 anos.
2 de Maio de 2017
A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES (Vertigo), de Alfred Hitchcock (EUA, 1958), com James Stewart, Kim Novak, Barbara Bel Geddes, etc. 128 min; M/ 12 anos.
9 de Maio de 2017
O ÚLTIMO HURRAH (The Last Hurrah), de John Ford (EUA, 1958), com Spencer Tracy, Jeffrey Hunter, Dianne Foster, etc. 121 min; M/12 anos.
16 de Maio de 2017
ANATOMIA DE UM CRIME (Anatomy of a Murder), de Otto Preminger (EUA, 1959), com James Stewart, Lee Remick, Ben Gazzara, etc. 160 min; M/ 12 anos.
23 de Maio de 2017
INTRIGA INTERNACIONAL (North by Northwest), de Alfred Hitchcock (EUA, 1959), com Stars: Cary Grant, Eva Marie Saint, James Mason, etc. 136 min; M/ 12 anos.
30 de Maio de 2017
OS HERÓIS DE CORDURA (They Came to Cordura), de Robert Rossen (EUA, 1959), com Gary Cooper, Rita Hayworth, Van Heflin, etc. 123 min; M/ 12 anos.
6 de Junho de 2017
BEN-HUR (Ben-Hur), de William Wyler (EUA, 1959), com Charlton Heston, Jack Hawkins, Stephen Boyd, etc. 222 min; M/ 12 anos.
13 de Junho de 2017
A GRANDE GUERRA (La Grande Guerra), de Mario Monicelli (Itália, 1959), com Alberto Sordi, Vittorio Gassman, Silvana Mangano, etc. 137 min; M/ 12 anos.
20 de Junho de 2017
SPARTACUS (Spartacus), de Stanley Kubrick (EUA, 1960), com Kirk Douglas, Laurence Olivier, Jean Simmons, etc. 248 min; M/ 12 anos.
27 de Junho de 2017
OS INADAPTADOS (The Misfits), de John Huston (EUA, 1961), com Clark Gable, Marilyn Monroe, Montgomery Clift, etc.124 min; M/ 12 anos.
4 de Julho de 2017
ESPLENDOR NA RELVA (Splendor in the Grass), de Elia Kazan (EUA, 1961), com Natalie Wood, Warren Beatty, Pat Hingle, etc. 124 min; M/ 12 anos.
5 de Julho de 2017
O JULGAMENTO DE NUREMBERGA (Judgment at Nuremberg), de Stanley Kramer (EUA, 1961), com Spencer Tracy, Burt Lancaster, Richard Widmark, etc. 186 min; M/ 12 anos.
11 de Julho de 2017
O HOMEM QUE MATOU LIBERTY VALANCE (The Man Who Shot Liberty Valance), de John Ford (EUA, 1962), com James Stewart, John Wayne, Vera Miles, etc. 123 min; M/ 12 anos.
12 de Julho de 2017
TEMPESTADE SOBRE WASHINGTON (Advise & Consent), de Otto Preminger (EUA, 1962), com Franchot Tone, Lew Ayres, Henry Fonda, etc. 139 min; M/ 12 anos.
18 de Julho de 2017
NA SOMBRA E NO SILÊNCIO (To Kill a Mockingbird), de Robert Mulligan (EUA, 1962), com Gregory Peck, John Megna, Frank Overton, etc. 129 min; M/12 anos.
19 de Julho de 2017
O AVENTUREIRO DE CINCINNATI (The Cincinnati Kid), de Norman Jewison (EUA, 1965), com Steve McQueen, Ann-Margret, Edward G. Robinson, etc. 109 min; M/ 12 anos.
25 de Julho de 2017
PEDRO O LOUCO (Pierrot le fou), de Jean-Luc Godard (França, 1965), com Jean-Paul Belmondo, Anna Karina, Graziella Galvani, etc. 110 min; M/ 12 anos.
26 de Julho de 2017
LORD JIM (Lord Jim), de Richard Brooks (EUA, 1965), de Peter O'Toole, James Mason, Curd Jürgens, etc. 154 min; M/ 12 anos.
1 de Agosto de 2017
QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOOLF? (Who's Afraid of Virginia Woolf?), de Mike Nichols (EUA, 1966); com Elizabeth Taylor, Richard Burton, George Segal, etc. 131 min; M/ 17 anos.
2 de Agosto de 2017
PLAY TIME - VIDA MODERNA (Playtime), de Director: Jacques Tati (França, 1967), com Jacques Tati, Barbara Dennek, Rita Maiden, etc. 115 min; M/ 12 anos.
8 de Agosto de 2017
A QUADRILHA SELVAGEM (The Wild Bunch), de Sam Peckinpah (EUA, 1969), com William Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan, etc. 135 min; M/ 12 anos.
9 de Agosto de 2017
MARIDOS (Husbands), de John Cassavetes (EUA, 1970), com Ben Gazzara, Peter Falk, John Cassavetes, etc. 131 min; M/ 12 anos. 
15 de Agosto de 2017
SLEUTH: AUTÓPSIA DE UM CRIME (Sleuth), de Joseph L. Mankiewicz (EUA, Inglaterra, 1972), com Laurence Olivier, Michael Caine, Alec Cawthorne, etc. 138 min; M/ 12 anos.
16 de Agosto de 2017
VOANDO SOBRE UM NINHO DE CUCOS (One Flew Over the Cuckoo's Nest), de Milos Forman (EUA, 1975), com Jack Nicholson, Louise Fletcher, Michael Berryman, etc. 133 min; M/ 16 anos.
22 de Agosto de 2017
TAXI DRIVER (Taxi Driver), de Martin Scorsese (EUA, 1976), com Robert De Niro, Jodie Foster, Cybill Shepherd, etc. 113 min; M/ 18 anos.
23de Agosto de 2017
ESCÂNDALO NA TV (Network), de Sidney Lumet (EUA, 1976), com Faye Dunaway, William Holden, Peter Finch, etc. 121 min; M/ 12 anos.
29 de Agosto de 2017
OS HOMENS DO PRESIDENTE (All the President's Men), de Alan J. Pakula (EUA, 1976), com Dustin Hoffman, Robert Redford, Jack Warden, etc. 138 min; M/ 12 anos.
30 de Agosto de 2017
ESTE OBSCURO OBJECTO DO DESEJO (Cet obscur objet du désir), de Luis Buñuel (França, 977), com Fernando Rey, Carole Bouquet, Ángela Molina, etc. 102 min; M/ 12 anos.
5 de Setembro de 2017
UM DIA INESQUECÍVEL (Una giornata particolare), de Ettore Scola (Itália, 1977), com Sophia Loren, Marcello Mastroianni, John Vernon, etc. 106 min; M/ 12 anos.
12 de Setembro de 2017
MAD MAX - AS MOTOS DA MORTE (Mad Max), de George Miller (Austrália, 1979), com Mel Gibson, Joanne Samuel, Hugh Keays-Byrne, etc. 88 min; M/ 18 anos.
19 de Setembro de 2017
A CALÚNIA (Absence of Malice), de Sydney Pollack (EUA, 1981), com Paul Newman, Sally Field, Bob Balaban, etc. 116 min; M/ 12 anos.
26 de Setembro de 2017
O COMPANHEIRO (The Dresser), de Peter Yates (Inglaterra, 1983), com Albert Finney, Tom Courtenay, Edward Fox, etc. 118 min; M/ 12 anos.
3 de Outubro de 2017
A TESTEMUNHA (Witness), de Peter Weir (EUA, 1985), com Harrison Ford, Kelly McGillis, Lukas Haas, etc. 112 Min; M/ 12 anos.
10 de Outubro de 2017
O NOME DA ROSA (Der Name der Rose), de Jean-Jacques Annaud (França, Itália, RFA, 1986), com Sean Connery, Christian Slater, Helmut Qualtinger, etc. 130 Min; M/ 12 anos.
17 de Outubro de 2017
CINEMA PARAÍSO (Nuovo Cinema Paradiso), de Giuseppe Tornatore (Itália, 1988), com Philippe Noiret, Enzo Cannavale, Antonella Attili, etc. 155 min; M/ 12 anos.
24 de Outubro de 2017
IRMÃOS INSEPARÁVEIS (Dead Ringers, de David Cronenberg (EUA, Canadá, 1988), com Jeremy Irons, Geneviève Bujold, Heidi von Palleske, etc. 116 Min; M/ 16 anos.
31 de Outubro de 2017
TEMPO DE GLÓRIA (Glory), de Edward Zwick (EUA, 1989), com Matthew Broderick, Denzel Washington, Cary Elwes, etc. 122 min; M/ 12 anos.
7 de Novembro de 2017
O CLUBE DOS POETAS MORTOS (Dead Poets Society), de Peter Weir (EUA, 1989), com Robin Williams, Robert Sean Leonard, Ethan Hawke, etc. 128 min; M/ 12 anos.
14 de Novembro de 2017
CYRANO DE BERGERAC (Cyrano de Bergerac), de Jean-Paul Rappeneau (França, 1990), com Gérard Depardieu, Anne Brochet, Vincent Perez, etc. 137 min; M/12 anos.
21 de Novembro de 2017
IMPERDOÁVEL (Unforgiven), de Clint Eastwood (EUA, 1992), com Clint Eastwood, Gene Hackman, Morgan Freeman, etc. 133 min; M/ 16 anos.
28 de Novembro de 2017
FILADÉLFIA (Philadelphia), de Jonathan Demme (EUA, 1993), com Tom Hanks, Denzel Washington, Roberta Maxwell, etc. 125 min; M/12 anos.
5 de Dezembro de 2017
OS CONDENADOS DE SHAWSHANK (The Shawshank Redemption), de Frank Darabont (EUA, 1994), com Tim Robbins, Morgan Freeman, Bob Gunton, etc. 142 min; M/ 16 anos.
12 de Dezembro de 2017
EM CARNE VIVA (Carne trémula), de Director: Pedro Almodóvar (Espanha, 1997), com Liberto Rabal, Francesca Neri, Javier Bardem, etc. 103 min; M/ 16 anos.
19 de Dezembro de 2017
MAGNOLIA (Magnolia), de Paul Thomas Anderson (EUA, 1999), com Tom Cruise, Jason Robards, Julianne Moore, etc. 188 min; M/ 12 anos.

Blog de apoio à masterclass: http://oactror.blogspot.pt/


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O SÉTIMO SELO


O SÉTIMO SELO (1957)



No livro do Apocalipse, no Novo Testamento, pode ler-se o seguinte sobre “O sétimo selo”:
(…) Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, houve silêncio no céu por mais ou menos meia hora. Então vi os sete anjos, que se acham em pé diante de Deus, e vi que lhes foram dadas sete trombetas.
Depois veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar. Ele estava com um incensário de ouro e foi-lhe dado muito incenso para ser oferecido com as orações de todo o povo de Deus sobre o altar de ouro que se encontra diante do trono. E a fumaça do incenso, juntamente com as orações do povo de Deus, subiu da mão do anjo à presença de Deus. E o anjo pegou o incensário, encheu-o do fogo do altar e o atirou à terra. E houve trovões, barulhos, relâmpagos e terremoto.
As trombetas dos sete anjos
Então os sete anjos que tinham as trombetas prepararam-se para tocá-las. O primeiro anjo tocou a sua trombeta e fogo e uma chuva de pedras misturados com sangue foram atirados à terra. Uma terça parte da terra foi queimada, assim como uma terça parte das árvores e toda erva verde.
O segundo anjo tocou a sua trombeta e uma coisa, que parecia uma grande montanha pegando fogo, foi atirada ao mar. Uma terça parte do mar tornou-se em sangue, uma terça parte dos animais que viviam no mar morreu e uma terça parte das embarcações foi destruída.
O terceiro anjo tocou a sua trombeta e uma grande estrela, que estava queimando como uma tocha, caiu do céu sobre uma terça parte dos rios e sobre as fontes de água. Uma terça parte das águas se tornou em absinto (pois o nome da estrela era Absinto) e muitas pessoas morreram porque beberam daquela água, uma vez que ela tinha se tornado amarga.
O quarto anjo tocou a sua trombeta e uma terça parte do sol, da lua e das estrelas foi ferida, de modo que uma terça parte deles se tornou escura. Assim, uma terça parte do dia e da noite ficou sem luz.
Depois eu olhei e ouvi uma águia que voava no meio do céu e dizia em voz alta: —Ai! Ai! Ai dos que moram na terra, por causa dos restantes sons de trombeta que os outros três anjos ainda têm que tocar!
(Apocalipse 8:11)



“O Sétimo Selo”, escrito e realizado por Ingmar Bergman, partindo de uma peça de teatro de sua autoria, é considerado uma das obras-primas do cineasta sueco, “descoberto” dois anos antes (1955) pelos europeus do centro e sul do continente quando “Sorrisos de uma Noite de Verão” é apresentado no Festival de Cannes. “Descobre-se” então um autor de uma profunda exigência estética e intelectual, um homem com um universo extremamente pessoal, e percebe-se que os povos nórdicos continuam a “inventar” artistas de um rigor plástico e de uma profundidade de olhar sobre o mundo e os seres humanos, inclusive na sua relação com o divino, que não deixa de surpreender.
A vida e os seus prazeres, a morte e os seus temores, o destino obscuro do homem, o absurdo da sua existência perante o irremediável final, o diálogo com Deus, as noções de culpa e de remorso, o sofrimento e a dor, estes são alguns dos temas constantes na filmografia de Ingmar Bergman (e não só na sua filmografia, mas também no seu outro trabalho, na escrita, no teatro, na encenação…). Em quase todas as suas obras estes temas surgem com maior ou menor acuidade, mas eles são o centro de “O Sétimo Selo”.
Estamos em plena Idade Média, na Suécia, e vamos ao encontro de um cavaleiro, Antonius Block (Max von Sydow), e do seu fiel companheiro, Jons (Gunnar Björnstrand), ambos regressados das cruzadas. Vêm obviamente desiludidos com a aventura a que tinham sobrevivido, sem terem encontrado um sinal, uma qualquer indicação da presença divina. No seu caminho apenas os horrores da guerra e o silêncio total de qualquer voz redentora. Ao chamar a esta obra “O Sétimo Selo”, Bergman vai inspirar-se numa referência do Livro do Apocalipse onde se fala de um livro que contém sete selos, que se vão abrindo um a um, provocando cada um deles uma nova maldição, até chegar ao sétimo, o mais devastador, que levará ao fim do mundo.
É claro que a intenção de Bergman ao repescar os tempos da Idade Média seria essencialmente falar do seu tempo. Não será por acaso, cremos, que se fala nesse fim do mundo quando a Humanidade atravessa um período extremamente perigoso, com a guerra fria no seu apogeu e a ameaça nuclear a cada esquina. Não se teria ainda igualmente esquecido o horror da II Guerra Mundial e do holocausto.
O ambiente da Idade Média permite ao cineasta criar um clima de persistente pessimismo e terror apocalíptico, tanto mais que cavaleiro e escudeiro se cruzam com fanatismos vários, peste, morte, autos de fé e tudo o mais que se possa imaginar de tenebroso. Alguns comentadores muito preocupados com o rigor histórico em “stricto sensu”, acusam o filme de alguns anacronismos. Dizem, por exemplo, que o regresso das cruzadas e a peste na Suécia não são contemporâneos. Também a perseguição às bruxas naquela zona da Europa não coincide temporalmente com o fim das cruzadas. Mas acreditamos que tais desajustes não beliscam em nada o espírito da obra que não pretende ser um compêndio de História, mas tão somente (ou sobretudo) uma meditação sobre o (absurdo) destino do homem na Terra e as suas permanentes interrogações sobre a vida e a morte.


Bergman ter-se-á inspirado mesmo num famoso quadro de Albertus Pictor, "A Morte disputando uma partida de xadrez", existente na diocese de Estocolmo, para imaginar o motivo central de “O Sétimo Selo”. Na verdade, chegado à sua terra natal, o cavaleiro Antonius Block depara-se com a Morte (Bengt Ekerot), que aparentemente o virá buscar para o levar para terras desconhecidas envolto no seu manto negro. Mas Antonius Block, que aceita o diálogo com essa misteriosa personagem com alguma naturalidade, não está preparado para a acompanhar e propõe à morte um contrato, baseado num jogo de xadrez. Ele e a Morte irão disputar uma partida e a sinistra criatura só o levará depois de terminado o jogo. Assim ganha tempo para procurar respostas para algumas questões e prosseguir a sua viagem.  Mas a divindade é muda e só as atrocidades humanas se mostram na sua eloquência macabra. Cortejo de flagelados, uma jovem considerada bruxa queimada viva, a peste e a mais completa miséria e degradação humana não respondem aos anseios do cavaleiro. O jogo de xadrez vai prosseguindo, e o cavaleiro sabe que nada impedirá a Morte de cumprir o seu destino.
É curioso sublinhar uma evidente afinidade entre “O Sétimo Selo” e o “Don Quixote”, de Cervantes. Em ambos existe a dupla complementar de cavaleiro e escudeiro, e em ambos o cavaleiro se preocupa com questões existenciais profundas, enquanto o companheiro de viagem se mostra muito mais pragmático e conhecedor da vida.
A reflexão de Ingmar Bergman é filosófica e remete obviamente para um nome como Kierkegaard e esse sempre presente vazio ou silêncio de Deus (é possível também falar-se aqui de Friedrich Wilhelm Nietzsche). Não será por acaso que neste aspecto Bergman e Dreyer, ambos nórdicos, sueco e dinamarquês, cruzam visões e influências, ainda que a fé os distinga. Dreyer é um fervoroso crente e Bergman um árido céptico. O que não impede, porém, de existir uma esperança em “O Sétimo Selo”. Um casal de artistas, jongleurs de feira, são os portadores de uma mensagem de alento, desde que se viva simplesmente e se busquem os prazeres mais óbvios da vida. Chamam-se Maria (Bibi Andersson) e José (Nils Poppe) e têm um filho.
Esta família de artistas de circo, que anda de feira em feira, escapa à Morte, quando o cavaleiro desvia a atenção da terrífica criatura, permitindo que a carroça com os ingénuos artistas parta. Bergman parece indicar com esta situação que só os ingénuos e puros que têm na arte uma forma de vida, sobreviverão. Não à morte, que é certa e segura no final do caminho, mas a um destino sem finalidade. É de salientar qual o tipo de artista que consegue escapulir-se à trágica morte. Não é o pintor amargurado e pessimista, nem o trapaceiro director de companhia. É precisamente um casal de artistas sem pretensões, que faz da vida um acto de prazer e de diversão, por muitas que sejam as dificuldades e os perigos. E que glorifica a vida, na figura de um filho que irá assegurar o futuro.
A arte de Bergman (1918–2007) encontra-se já na sua fase de maturidade, pronta a oferecer-nos algumas das suas mais inspiradas obras, como “Morangos Silvestres” (1957), “A Fonte da Virgem” (1960), “Em Busca da Verdade” (1961), “O Silêncio” (1963), “A Máscara” (1966), “A Vergonha” (1968) ou “Lagrimas e Suspiros” (1972). A estes seguem-se ainda, entre alguns mais que se torna impossível citar aqui, obras exemplares como “Cenas da Vida Conjugal” (1973) “Face a Face” (1976), “O Ovo da Serpente” (1978), “Sonata de Outono” (1978) ou “Da Vida das Marionetas” (1980).
Em “O Sétimo Selo”, Bergman ainda se encontra no seu período de preto e branco, aqui sumptuosamente desenhado pela câmara de Gunnar Fischer, que retira o melhor partido dos contrastes e dos ambientes soturnos e das luminosas paisagens. Mas o filme parece abençoado por alguma nuvem passageira, pois a direcção artística, o guarda-roupa, a montagem, a banda sonora e a interpretação são excelentes, com particular relevo para actores como Max von Sydow, Gunnar Björnstrand, Nils Poppe ou Bibi Andersson, todos eles intérpretes muito queridos do cineasta e muito presentes a sua filmografia. 
O título irá definir daí em diante Ingmar Bergman como um dos grandes cineastas do moderno cinema europeu, depois de ter ganho o prémio Especial do Júri, no Festival de Cannes de 1957 e de ter recebidos diversos outros galardões em festivais internacionais.

 
O SÉTIMO SELO
Título original: Det sjunde inseglet
Realização: Ingmar Bergman (Suécia, 1957); Argumento: Ingmar Bergman, baseado numa peça ("Trämålning") do próprio; Produção: Allan Ekelund; Música: Erik Nordgren; Fotografia (p/b): Gunnar Fischer; Montagem: Lennart Wallén; Design de produção: P.A. Lundgren; Guarda-roupa: Manne Lindholm; Maquilhagem: Nils Nittel; Assistentes de realização: Lennart Olsson; Departamento de arte: Carl-Henry Cagarp; Som: Evald Andersson, Lennart Wallin, Aaby Wedin; Companhias de produção: Svensk Filmindustri (SF); Intérpretes: Gunnar Björnstrand (Jöns), Bengt Ekerot (Morte), Nils Poppe (Jof / José), Max von Sydow (Antonius Block), Bibi Andersson (Mia / Maria), Inga Gill (Lisa), Maud Hansson (bruxa), Inga Landgré (Karin), Gunnel Lindblom, Bertil Anderberg, Anders Ek, Åke Fridell, Gunnar Olsson, Erik Strandmark, Sten Ardenstam, Harry Asklund, Benkt-Åke Benktsson, Tor Borong, Gudrun Brost, Tor Isedal, Ulf Johansson, Tommy Karlsson, Lars Lind, Gordon Löwenadler, Mona Malm, Josef Norman, Gösta Prüzelius, Fritjof Tall, Lennart Tollén, Nils Whiten, Karl Widh, etc.  Duração: 96 minutos; Distribuição em Portugal (DVD): Costa do Castelo Filmes; Leopardo Filmes (2014); Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 23 de Outubro de 1963.

MAX VON SYDOW (1929 - )
Um dos mais conhecidos e reputados actores suecos, Max Carl Adolf von Sydow, de seu nome de baptismo, nasceu a 10 de Abril de 1929, em Lund, Skåne län, na Suécia. Oriundo de uma família da classe média, a mãe, a baronesa Maria Margareta era professora e o pai, Carl Wilhelm von Sydow, etnólogo e professor de folclore. Depois dos estudos iniciais, e depois de passar por um grupo teatral estudantil, inscreveu-se na Royal Dramatic Theatre (1948-1951), onde foi colega de Lars Ekborg, Margaretha Krook ou Ingrid Thulin. Licenciado, trabalhou em teatros de Norrköping e Malmö. Em 1949, estreia-se no cinema, em “Apenas Mãe”, de Alf Sjöberg, mas é sobretudo a partir de 1957, com o seu trabalho em “O Sétimo Selo”, que se torna conhecido internacionalmente, iniciando uma carreira que o divide entre os palcos e os écrans suecos, e os estúdios internacionais, vivendo tanto em Estocolmo, como em Los Angeles, Califórnia, Roma, Itália ou Paris, França. Tornou-se cidadão francês em 2002. É seguramente o actor sueco mais internacional de todos os tempos, tendo aparecido em filmes suecos, dinamarqueses, noruegueses, alemães, franceses, americanos, ingleses, italianos e espanhóis. Mas a sua carreira fica para sempre ligada aos títulos dirigidos por Ingmar Bergman entre os anos 50 e 70, como “Morangos Silvestres”, “No Limiar da Vida”, “O Rosto”, “A Fonte da Virgem”, “Em Busca da Verdade”, “Luz de Inverno”, “A Hora do Lobo”, “A Vergonha”, “Paixão” ou “O Amante” (1971). Desde muito cedo, começou a ser chamado para grandes produções internacionais e o seu nome surge em obras como “A Maior História de Todos os Tempos” (1965), onde interpretou a figura de Cristo, “O Processo Quiller” (1966), “A Carta do Kremlin”, “Os Emigrantes” (1971), “O Exorcista” (1973), “Os Três Dias do Condor” (1975), “Nunca Mais Digas Nunca” (1983), “Duna” (1984), “Ana e as Suas Irmãs” (1986), “Pelle, o Conquistador” (1987), “Despertares” (1990), “Relatório minoritário” (2002), “Shutter Island” (2010), “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto” (2011), “Star Wars: O Despertar da Força” (2015) ou na série televisiva “A Guerra dos Tronos” (2016). Em 1988, estreia-se como realizador com “Ved vejen”. Foi casado com a actriz Christina Olin (1951 - 1979), de quem se divorciou e, nesta altura, é casado com a realizadora e professora francesa Catherine Brelet (1997 - )-
É até hoje o único actor sueco a ter sido nomeado para o Oscar de Melhor Actor. Foi-o por das vezes, com “Pelle, o Conquistador” (1987) e com “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto” (2011). Actrizes suecas houve cinco: Greta Garbo, Ingrid Bergman, Ann-Margret, Lena Olin e Alicia Vikander.

GUNNAR BJÖRNSTRAND
 (1909 – 1986)
Knut Gunnar Johanson nasceu a 13 de Novembro de 1909, em Estocolmo, Suécia, cidade onde haveria de falecer a 26 de Maio de 1986.  O pai era actor, Oscar Johanson, e não surpreende que tenha o gosto pelo teatro desde novo, apesar de ter passado por diversos empregos antes de se estrear no Lilla Teatern em Estocolmo. Em 1933, começou estudos no Royal Dramatic Theater, condiscípulo de Ingrid Bergman, Signe Hasso e da mulher com quem viria a casar, Lillie Björnstrand. Licenciado, ingressou no Swedish Theater, em Vasa, Finlândia, tendo depois regressado à Suécia. Integrou o elenco do Teatro Hippodrom. Os inícios da carreira no país natal foram difíceis. No cinema, estreou-se no inicio dos anos 30, mas só em 1943, com “Natt i hamn”, de Olof Molander, já era considerado ainda que num pequeno papel. Foi durante a II Guerra Mundial que começou a trabalhar com Ingmar Bergman no teatro, na peça de August Strindberg, “Spöksonaten”. A sua filmografia inicial não é muito brilhante, abundando comédias sem grande relevo. Mas na década de 50, sob a direcção de Ingmar Bergman, torna-se notado em obras como “Noite dos Saltimbancos” (1953), “Uma Lição de Amor” (1954), “Sorrisos de Uma Noite de Verão” (1955), “O Sétimo Selo” ou “Morangos Silvestres” (1957), “O Rosto” (1958), “O Olho do Diabo” (1960), “Em Busca da Verdade” (1961), “Luz de Inverno” (1963), entre algumas mais, num total de 23 participações. Foi o actor que mais trabalhou com Bergman, de quem era amigo pessoal. As derradeiras colaborações com o mestre sueco foram “A Máscara” (1966), “A Vergonha” (1968), “Face a Face” (1976), “Sonata de Outono” (1978) e “Fanny e Alexandre” (1982).

Curioso analisar em paralelo a carreira de Gunnar Björnstrand e Max Von Sydow. Ambos lançados internacionalmente em títulos de Ingmar Bergman, ambos excelentes actores, enquanto Sydow, mais extrovertido, cosmopolita, bon vivant, enveredou por uma carreira internacional com projecção em vários países, Björnstrand, com uma figura que apontava para composições extáticas, puritanas, rigorosas manteve-se pela Suécia, com uma ou outra incursão por filmes sobretudo italianos.